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Oito dicas para extrair o máximo de seu advogado

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Oito dicas para extrair o máximo de seu advogado

Você sabe a diferença entre uma pulga e um advogado? Um é um parasita que suga seu sangue até o fim! O outro é um pequeno inseto. :D

Então você resolveu contratar um advogado? Ótimo!

E por que motivo você vai contratá-lo? É para te ajudar a resolver um problema ou porque gostaria de tirar algumas dúvidas? Talvez você, simplesmente, queira maior segurança para seu negócio!

Não importa o motivo, o Direito & Mercado vai ajudá-lo extrair o máximo da relação com seu advogado!

Squeeze the middle

Creative Commons License photo credit: accent on eclectic

1. Escolha bem o seu advogado!

Parece óbvio, não é? E é óbvio! Ou pelo menos deveria ser… ¬¬

As maneiras para se escolher um advogado se resumem, basicamente , a dois critérios: indicação ou notoriedade.

Indicações. Por meio de ex-clientes, colegas, parceiros, professores de faculdade, enfim… as indicações podem surgir de inúmeras fontes! Escolha a mais confiável e vá fundo!

Notoriedade. Pelo site, pelo seu portfólio ou pelas suas publicações: algo irá impressionar você!

Ora, se aquele advogado, ou seu escritório, foi bom para aquela multinacional do petróleo, ela atenderá às suas necessidades, certo?

Faça perguntas! Dependendo do seu objetivo para contratar o advogado, é importante que ele conheça a sua indústria. Faça perguntas sobre assuntos corriqueiros e descubra até onde o especialista realmente sabe ou está disposto a descobrir.

Leia seus artigos! A advocacia é uma profissão fundamentalmente científica (ainda que o Direito, em si, não seja uma ciência) e é muito comum que o advogado escreva artigos, mesmo que não os publique.

Pergunte a juízes! Juízes são ótimas fontes! Quem melhor para avaliar a proatividade, tempestividade (ajuizar ações no prazo), assiduidade e qualidade da produção de um advogado que juízes?

2. Como você quer ser cobrado?

Defina o mais cedo possível a forma de cobrança dos honorários!

Por hora? Por serviço? Pelo sucesso?

Se o contrato for por hora:

- Qual é unidade de tempo mínima para a fixação da base-hora?

- Com que freqüência e em que condições poderá solicitar uma auditoria dessas horas?

- Consultas eventuais serão cobradas a parte?

- Haverá cobrança pelo acompanhamento diário de sua ação?

Se por serviço:

- Haverá a possibilidade de reajuste?

- Quais as condições para atendimento do cliente?

- Quais os gastos incluídos?

- Advogados usam seus próprios carros, carros do escritório ou táxi?

Se por sucesso:

- Acordos extrajudiciais contam como sucesso?

- Haverá algum adiantamento?

- Quais os gastos incluídos?

3. Não negocie honorários!

Estranho isso, né? Mas é verdade.

Das duas uma: ou o advogado apresentou um valor que julga adequado para elaborar aquela consulta que você pediu ou ajuizar uma ação que acompanhará por um bom tempo, ou ele jogou um preço alto já esperando que você “negocie” para baixo.

Não negocie, peça justificativas.

O bom advogado saberá justificar cada centavo que ele pretende te cobrar. Dessa maneira, se você continuar achando “salgado”, será possível argumentar que tipo de “opcionais” não te agregam nenhum valor.

Pese a exclusividade por determinado serviço versus a remuneração exigida. Pode ser um bom parâmetro para sua avaliação.

4. Tenha certeza do que quer!

Qual é o seu problema? Que necessidade você realmente quer atender?

Dependendo da situação, uma atitude conciliatória pode ser muito mais vantajosa que uma postura belicosa de seu advogado.

Você pretende manter algum tipo de relacionamento, pessoal ou profissional, com a outra parte no processo? Negocie.

A outra parte não é confiável e manter um relacionamento é prejudicial? Vá na jugular!

Conhecer suas necessidades e vontades facilitará, e muito, a atuação de seu advogado. Seja estratégico.

5. Diga tudo ao advogado

Deixa eu te contar… você não escolheu seu advogado? Você não precisa da ajuda dele? Você não o chamou porque ele sabe de coisas que você não sabe? Então… CONTE TUDO A ELE!

Já tive problemas com isso… o cliente omitiu informações que ELE julgou não serem relevantes.

Não faça isso. Se você escolheu bem o seu advogado, confie nele. Do contrário, não reclame se os resultados não saírem da forma com que você espera.

Documentos, fatos, tudo, ok?

6. Peça explicações sobre TODOS os andamentos!

“Andamento” é juridiquês para “o-que-foi-que-aconteceu-no-meu-processo-hoje”. Mas saber disso não ajuda muito. Se você abrir a página de seu processo, verá uma série de códigos e abreviações muitas vezes indecifráveis até para os versados em juridiquês.

Faz sentido, então, que você – o dono daquele processo – compreenda todos os andamentos, certo?

É obrigação de seu advogado ter cópias de todo o seu processo. Então peça cópias escaneadas em seu e-mail de todas as certidões e despachos de seu processo. E peça explicações.

7. Saiba sobre prazos processuais!

Fiz uma pesquisa no site do STJ. Dos cerca de 115 mil agravos de instrumento, 74.396 foram embora por estarem intempestivos.

Intempestivos? Significa que o advogado perdeu o prazo na interposição de algum recurso.

Alguns advogados, por vergonha ou por falta de ética, não comunicam seu erro para seus clientes, que, por seu turno, pensam que perderam a causa por “culpa do juiz”.

Conheça os prazos de seu processo e cobre-os!

8. Garantias e certezas? Não as espere.

Já disse antes… Nenhum advogado pode dar certezas ou garantias de vitória!

O advogado fez um trabalho perfeito, as testemunhas foram impecáveis, o seu direito foi todo demonstrado… mas você perdeu!?

Acontece. A Justiça é uma caixinha de surpresas. Acostume-se com isso. O trabalho do advogado é convencer um juiz que o melhor direito é o seu. Sabendo disso, não faz muito sentido se exigir certezas, né?

Não espere garantias e certezas. Proteja-se. Planeje-se. PREVINA-SE!

Conclusão

Então, o que você achou? Essas dicas foram úteis a você? Como você acha que pode melhorar sua relação com seu advogado?

Direito & Mercado – Quem disse que Direito não pode ser legal?

Dica bônus!

Façam como nosso amigo Rudinei R. Modezejewski, e envie para nós sugestões sobre como melhorar os posts! A dica abaixo, é dele!

9 – Não acredite em milagres

Processos são lentos, burocráticos e dependem de decisões de pessoas normais, porém, com poderes sobrehumanos, os juízes. Não espere que seu advogado resolva tudo em tempo récorde, não espere que ele mude completamente a forma de pensar dos juízes, enfim, não espere milagres, o advogado não tem esse poder.

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  1. Fausto Sette Câmara says:

    “(ainda que o Direito, em si, não seja uma ciência)”

    ATÉ AS DICAS AINDA VAI, MAS SOLTAR UMA DESSA TORNA A COISA COMPLICADA. ACHO QUE VOCÊ PRECISA ESTUDAR UM POUCO MAIS, OU SE FUNDAMENTAR MELHOR.

  2. henriquearake says:

    Hehehe… beleza, Fausto.

    Ruy Barbosa disse uma vez algo refrente a imaturidade. Seria um caso de jovialidade demais ou leitura de menos. De qualquer forma, assumo que não fui claro. Quis dizer que Direito, para mim (sendo um texto meu, expressando opiniões minhas), o Direito não é e nem nunca foi Ciência, karlpopperianamente falando, entre outros. QUANDO se QUIS tentar transformar o Direito em ciência, sob clara influência do positivismo (científico, não o jurídico, obviamente), conseguiu-se sistematíza-lo e, de certa forma, purificá-lo. Mas o fato de ser um objeto de estudo sistemático não o transforma em ciência. Pelo menos eu não considero assim.

    Para mim, Direito é arte. Arte no sentido de criação artesanal do jurista.

    Melhorou? :D

  3. Concordo com você, Henrique. Até porque, o direito, diametralmente oposto ao que se propõe a sociologia, impõe condutas (ainda que baseado nos costumes), de forma que não imagino como uma ciência tentaria fazer mudar o próprio objeto de estudo desta forma (e eu sei que deveria escrever mais pra deixar isso mais claro, mas… náááááá….).

    Direito é tão ciência quanto a matemática!!!
    Para os incautos, frise-se que matemática não é ciência, visto que não busca chegar a conclusões sobre estudos fora de si mesma. Matemática é, no sentido amplo, uma linguagem, através da qual outras ciências são mais facilmente (não pra mim, claro) estudadas, analisadas e explicadas, como a física, por exemplo.

  4. Fausto Sette says:

    É complicado escrever sobre o assunto mas, de qualquer forma, ainda acredito que o Direito seja uma ciência (ou pode ser, quando aplicado corretamente). Como advogado, muitas vezes isso pode significar um tiro no pé (e os advogados vão entender quando digo isso). Mas, ao lado de toda a retórica tópica, existe sim um objeto, existe um método e existe um resultado. Claro, se vamos discutir “ciência”, epistemologicamente, as coisas complicam. Há muito de arte no Direito, aliás, é o que mais há. Há também muito de “política” no Direito, muito de “moral” (ou falsa moral), em especial por parte de julgadores. Mas, de qualquer forma, acreditar que o Direito seria puramente arte, retórica ou política, tudo revestida por formalidades técnicas, seria o mesmo que extirpar dele próprio sua previsibilidade, mesmo que ela não seja, vamos dizer, 100% matemática. Mas, aliás, nem a matemática é, não é? Parabéns pelo Blog Henrique, sempre que posso dou uma passada por aqui. Abraços. F.

  5. Valeu, Fausto!

    Obrigado pela sua participação. Vou honrá-la estendendo um pouco o debate. Adotei a concepção popperiana de ciência aqui. Ciência pra mim deve: a) possuir uma teoria para descrever a realidade de algum modo e b) essa teoria precisa poder ser negada.

    O Direito tem teorias internas para descrever o mundo jurídico. Nenhuma pra descrever, explicar o mundo fático, certo? E mesmo essas teorias não podem ser negadas, pois não podem ser testadas. Elas são normativas, não descritivas.

    Acho que o Direito é, puramente, arte, ainda que a atividade do Jurista não o seja.

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