Jovem advogado: cobre o estudo do caso

October 15th, 2009 § 5 comments

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Originalmente publicado no Carreirasolo.org

Olá, a todos!

Como sei que alguns jovens incautos, lançados à sorte nesta selva do trabalho autônomo[bb], também lêem o Direito & Mercado (e portanto estão antenados com o que há de melhor na blogosfera brasileira -cof cof), darei uma dica que só um advogado[bb]de confiança te daria, combinados?

COBRE

PELO ESTUDO

DO CASO!

Você não sabe o que virá dali!

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- Espera aí, Henrique… deixa eu ver se entendi: o cliente chegou à sua porta com um problema, certo?

Certo.

- E ele ainda não sabe se vai te contratar, certo?

Certo.

- E você está me dizendo para cobrar ANTES de “olhar o que tem dentro da caixa”?

Grande, garoto!

- Mas, mas… #mimimi

Calma, pra tudo dá-se um jeito.

Lembram-se quando os ensinei a lidar com clientes malandros (link)? Vamos agora aprender como não perder tempo com os mesmos clientes malandros! :D

Se você é advogado, ótimo, se não, adapte a historinha para o seu caso, tudo bem?

Vamos lá… você é advogado e foi procurado por um cliente que está com um problema.

Primeira cena:

O jovem advogado, comovido pela história[bb]do cliente, estuda o caso por alto, para ter uma idéia, afinal, ninguém assinou contrato ainda, certo?… e chega à conclusão de que o caso é viável, mas sem muita certeza.

- Então, Sr. Fulano… o seu caso parece ser complicado, mas acho que há boas chances.

- Sim, mas quais chances, o que te leva a pensar isso?

- Ah, bem… eu fiz uns estudos e vi que há casos favoráveis na jurisprudência ao seu favor, mas precisaria de uma pesquisa mais elaborada para chegar a uma conclusão definitiva…

- Ah, então o que você quer dizer é que você não sabe, certo? Tudo bem, não tem problema… olha… eu te ligo amanhã, tá?

Segunda cena:

O jovem advogado, comovido pela história do cliente e sabendo que só um estudo superficial não o convenceu, estuda o caso a fundo, conversa com colegas, liga pra ex-professores, fala com a mãe, conta pro pai, confessa ao padre e… BLAM acha a solução! :D

Monta um projeto super bacana, cronograma de ação, perspectivas, orçamentos mil e apresenta pro cliente com um sorriso no rosto! “Certeza que ele vai gostar da minha proatividade[bb]e do meu interesse pelo caso dele”!

- E então, o que achou?

- Ok, entendi o que você quer fazer, mas eu ainda nem tenho certeza se vou ajuizar a ação… de qualquer forma, muito obrigado viu! Você é um rapaz de ouro[bb], ficou muito bom o seu trabalho!

Terceira cena:

O jovem advogado, comovido pela história do cliente, sabendo que só um estudo superficial não convenceu o cliente e percebendo que se entregar o peixe, ninguém contrata a vara,  estuda o caso a fundo, acha a solução, mas… fica esperto na jogada…

- Olá, tudo bem?

- Grande Dr.! E aí, estudou o meu caso?

- Sim, claro! (Sorriso de triunfo[bb])

- Sim? Que ótimo! Chegou a alguma conclusão?

- Mas é claro! (sorriso de muito triunfo combinado com olhar Maverick de quem sabe o que está falando) Tenho uma excelente tese para defendermos!

- Que ótimo!

- Não é?

- É!

- Pois é!

- E então?

- Sim?

- Qual é a tese?

- Ah, sim… mas então, vamos negociar o nosso contrato[bb]?

- Como assim? Ainda nem sei qual é a tese!

- Sim, claro… pode confiar em mim, vamos primeiro assinar esse contrato que eu te conto a tese! (Sorriso[bb]não tão triunfal assim…)

- Deixa eu entender… você quer que eu assine um contrato SÓ PRA VOCÊ ME DIZER A TESE? E se eu não concordar?

- Ah… bem… mas o senhor tem que entender que eu não trabalho de graça! O Henrique me ensinou…

- Nananana… vamos fazer o seguinte? Cê pega a tese e o Henrique e (cobraslagartoscaveirinhascomcarademau)

- “TAKÊO” HenriquÊ… e agora o “guê gui” eu faço, mêo? Esses filhodabuta vão me enganar sempre?

Qual é o erro, pequeno gafanhoto… o que você está fazendo de errado? Minha vez de perguntar, ok?

Você sabe qual é o problema do cliente?

- Não.

Sabe se ele vai te contratar?

- Não.

Sabe se ele está só te testando?

- Não.

Em caminho de paca, corre tatu?

- Hein?

Esquece… Meu amigo… companheiro de guerra[bb]… você é o cara! Lembre-se… você passou sei lá quantos anos estudando aquele bando de lei[bb]justamente porque a maioria sã da população NÃO QUER TER ESSE TRABALHO! Ou seja, você tem o conhecimento que eles optaram por não ter.

E esse conhecimento te fará ter uma visão[bb]diferente da usual sobre um problema! E essa visão diferente possui valor[bb]! É resultado do sem-número de horas que você passou estudando!

Além disso, você vai perder um bom tempo estudando o caso do cliente, não vai? Claro, você é competente! E a sua opinião, pro bem ou pro mal, será útil para ele. Quer ele vá ajuizar a ação, quer não.

O seu estudo preliminar tem MUITO VALOR!

Cobre por ele.

Direito & Mercado – Quem disse que o Direito não pode ser legal?

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