Clientes advogados (para advogados)

October 23rd, 2009 § 2 comments

Olá, pessoal! Esse é para vocês/nós que têm/temos clientes que são advogados!

Interessante o conceito, não? Advogados que contratam outros advogados?

Melhor dos mundos! Certamente, eles compreendem como a coisa funciona, podemos conversar em termos mais técnicos e serão muito mais receptivos a valores de honorários[bb], certo?

E se esticar bem altos os braços vou alcançar a Lua[bb]com os pés no chão…

Como lidar com clientes advogados?

fury
Creative Commons License photo credit: Ronny Robinson

Foto bonita, não?

Primeiramente, vamos esclarecer que o post de hoje é de advogado para advogados, ok? O próximo post será sobre clientes advogados em geral.

Então, o seu cliente é advogado? Pior, ele é advogado há mais tempo que você, é isso que eu entendi?

Significa então que ele sabe, ou pior, ACHA QUE SABE muito mais do que você, mas vai te contratar mesmo assim?

E por quê isso acontece?

Ora, às vezes ele está impedido de advogar contra a outra parte (servidor público[bb] contra a União[bb], por exemplo)… ou então, ele não tem tempo para cuidar dos próprios assuntos… ou ele ACHA que você tem “as manhas”…

Impedido!

Nessa situação, ele sabe tudo que você sabe, ou sabe mais do que você sabe, já que estudou o próprio caso a fundo, descobriu tudo que poderia para ajudá-lo no assunto, organizou os documentos, ajeitou no peito… mas não pode chutar pro gol…

Ele precisa que outra pessoa patrocine a causa. Adivinha quem? Aqui começam os problemas.

Primeiro, pode ser que você não concorde com tudo que ele disse. Acredita que tem uma saída mais interessante, ou menos arriscada, ou simplesmente tem um ponto de vista diferente.

- Já tentou convencer um advogado mais velho e experiente de que ele está errado?

Tenta, vai… eu espero. Desistiu, já?

Ok, vamos continuar. Você não conseguiu convencê-lo de que está errado e resolveu fazer o que ele quer mesmo assim? E se der errado, de quem é a culpa?

- Minha é que não é, estou te contratando pra isso!

Peraí, Henrique. Então, não só não posso pensar diferente dele, como terei de defender tese que não concordo e se perder a culpa ainda é minha?

- :D

Mas, mas… #mimimi…

Faça a nós dois um favor? Se ele não respeitar sua opinião, ele não respeitará sua atuação como profissional e você ainda pode sair “queimado” dessa história. Ou ele está te contratando para ser o advogado dele, ou ele o está contratando como despachante[bb].

O que você prefere?

Não tenho tempo pros meus próprios assuntos

- Sei mais ou menos do assunto, mas não tenho tempo pra estudar… é coisa simples, bobagem, resolve pra mim, vai?

Perspectivas maravilhosas! Um advogado PODEROSÃO, com sei lá quantos contatos, quer te contratar para resolver um problema pessoal (do qual ele mesmo poderia tomar conta, mas está tão sem tempo…)! E é um caso simples! Claro[bb], se fosse complicado, ele não te contrataria… você ainda não tem tanta experiência assim. Nem vai cobrar, só pelo contato, certo?

- É? Começa a estudar o caso agora. Ainda tá simples? Cabeça começou a doer e o corpo a suar frio, já? Acho que você deveria ter cobrado o estudo do caso, né?

Bom, fazer o que, não adianta chorar o leite[bb]derramado. Agora é resolver a situação.

Você tem, basicamente, duas opções: a) entubar e se virar; b) abrir o jogo.

Se a primeira solução resolver, então vocês estava era #mimimizando. O assunto está de fato dentro de suas possibilidades e você só está com preguiça. SHAME ON YOU!

Se não, bem… você vai fazer o que? Espernear? Chorar? Contratar OUTRO advogado pra não queimar seu filme? Pessoalmente, sou partidário do jogo aberto, com jeitinho: fala que o assunto se mostrou mais complexo à medida que o estudo se desenvolveu e que… ora essa… que o acerto precisa ser revisto.

A menos, é claro, que você não se importe em trabalhar de graça (pode ser uma solução, também… não seria a minha, nunca).

“As manha”

Por fim… a pior de todas as situações, na minha opinião: o pseudo-fidalguismo.

Oi-não-sou-o-dono-do-mundo-mas-sou-filho-do-dono-feelings.

In plain portuguese? Você está sendo contratado porque é filho de alguém, amigo de alguém, “marmita de alguém” (ah, minha recatada avozinha e seus eufemismos), e não, necessariamente, pela sua habilidade técnica.

Claro, se além de fidalgo[bb], você for um bom advogado, tanto melhor! Mas não é o que pesa na balança[bb]aqui.

Às vezes, você calhou de trabalhar, estudar, namorar, alguém que, por desventuras do destino, alçou posição de destaque social, político, econômico, televisivo, enfim. E seu valor, a priori, decorre desse fato.

- Ele quer que você… interceda por ele. Reze por sua alma, entendeu?

Ou então, ele quer se aproximar de você para ficar amigo… DA OUTRA PESSOA, compreende?

E ai? O que é ético[bb]? O que é interessante? O que é ético E interessante fazer?

Não se preocupe muito com os sentimentos do… encosto. Ele certamente não está com os SEUS melhores interesses em mente também.

Mas e você? E a sua identidade? Não vou nem perguntar se é assim que você quer ficar conhecido, porque respeito a inteligência de meus leitores.

O que eu faria? DENUNCIARIA O JOGO, no melhor estilo do William L. Ury.[bb]!

- Então, façamos o seguinte. Estou vendo que você tem um excelente tema pra apresentar pra fulano! Você gostaria que eu intermediasse o contato?

- CLARO.

- 50%.

- Hein?

- 50%, ué?

- Mas, mas… #mimimi

- Bichô, vamos lá. É bom pra nós dois. Não é como se eu não estivesse arriscando aqui, vou te apresentar como O CARA que vai resolver o problema. E se você não resolver? Como fica o MEU relacionamento com ele? Vamos negociar?

- …

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