Contratando um advogado – I: A Escolha!

October 31st, 2009 § 3 comments

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Bem-vindos amigos da rede Direito & Mercado!

Como vão vocês? Tudo bem? Nenhum probleminha com seu vizinho? Seus fornecedores estão entregando tudo direitinho? Fez compras na internet[bb]e deu tudo certo? A pipa do vovô continua subindo?

Bom, se você respondeu “não” para qualquer dessas perguntas, então pode ser que você precise contratar um ADVOGADO!

Pra ajudar nesse processo, o Direito & Mercado trará uma série de sete posts entitulados “Contratando um advogado” que esperamos lhes sejam úteis nessa empreitada.

Vamos a eles? Escolhendo o seu advogado.


In pizzeria Da Sergio
Creative Commons License photo credit: oksidor

Sempre é bom lembrar que já falamos um pouco sobre o assunto, quando demos dicas sobre como extrair o máximo de seu relacionamento com seu advogado(link), mas hoje falaremos um pouco mais sobre como escolher o seu advogado.

Classificados

O advogado é um prestador de serviço como outro qualquer (que outros advogados não se ofendam, não é minha intenção desmerecer a nobre profissão comparando-a com a de meros mortais não iniciados, tudo bem? ¬¬) e como tal… precisa divulgar seus serviços! Uma opção, são os serviços de classificados[bb].

Mas, segundo o Código de Ética[bb], o advogado é praticamente um Cavaleiro da Luz[bb], do Paulo Coelho[bb], e não pode ficar por aí mercantilizando seus serviços. Então tem sempre que ser algo discreto, imperceptível, quase como ah-nem-queria-que-você-me-encontrasse-aqui-mesmo. Ou então, algo bacana, bonitão chamativo, mas que veicule em revistas especializadas.

- Deixa eu ver se entendi… eu vou anunciar para tentar captar clientes, é isso?

É, mas disfarça e finge que não é, porque advogado não pode captar serviços abertamente (link).

- E, em revistas especializadas, ou seja, voltada para outros advogados, eu posso divulgar com mais liberdade?

Um POUCO mais de liberdade, sim.

- Então a melhor divulgação dos meus serviços será veiculada em uma mídia que é direcionada para outros juristas?

Confuso, né? Mas é, mais ou menos, por aí.

Fica bastante claro que esse não é o meio ideal de se encontrar um advogado, certo? Inclusive, o relatório do Estado do Marketing Jurídico na América Latina(link) mostra que eles representam apenas 21% do investimento feito por escritórios em geral, com eficácia em torno de 14%  (blogs permanecem com pífios 4%, mas respondem por uma taxa de eficácia de 8%).

Mas, não deixa de ser uma possibilidade.

Google

Pois é. Estamos em 2009. Quem precisa de classificados hoje em dia?

O mesmo relatório afirma que 79% dos escritórios possuem sites institucionais, com taxa de conversão de 65%!

Parece um bom resultado, certo? Vamos googlar então. O que fazer? Digitar escritório de advocacia que resolverá todos os meus problemas vai te levar, provavelmente, a um site Nick Riviera qualquer.

Não é o que você procura.

Pare e pense no seu problema. O que você quer resolver? Qual é a área? Comece por aí: escritórios de advocacia especializados em direito empresarial[bb], direito de família[bb], direito penal[bb], joga-se búzios e faz-se amarração pro amor, enfim. Sua pesquisa sairá muito mais refinada, certo?

O único problema é que você provavelmente encontrará apenas os GRANDES escritórios, em razão da forma com que o mecanismo de busca do google funciona.

Por outro lado, se você precisa usar o google[bb]é porque não tem um SANTO colega que possa te indicar um advogado, então, por garantia, aquele GRANDE escritório não chegou lá sendo incompetente, certo? É uma escolha segura pra quem não tem escolha alguma.

Indicação

Opa! Meus parabéns! Você se lembou daquela palavrinha mágica chamada network que está bastante na moda, certo? Isso mesmo! Quem melhor para dizer se um advogado é bom, confiável, etc. do que quem JÁ utilizou de seus serviços? Melhor ainda: você sempre poderá dizer que procurou o Dr. Ciclano por indicação de fulaninho, o que normalmente rende uma boa base de negociação.

Aqui não tenho muito o que dizer, é do feeling dos contratantes. A parte mais difícil já foi feita, resta saber se você concorda com aquele filme todo que o seu colega fez do profissional.

Redes de Escritórios

Não sei se vocês notaram, mas estamos evoluindo, a cada parágrafo, na, digamos, “técnica” de se escolher um advogado. Do mais óbvio para o mais complexo (e mais eficiente na minha opinião).

Redes de Escritórios não são ainda muito difundidoas no Brasil por uma única razão: jurista não costuma ser uma classe de pessoas que pensa estratégicamente fora das bancas. Em outras palavras, não é todo advogado que pensa “fora da caixa” em como melhorar sua inserção no mercado. Todo mundo que sai da faculdade segue o esquema, ou pretende seguir, estágio-efetivação-advogado jr.-advogado pleno-sênior-sócio ou então estágio-formatura-efetivação-demissão-abre o próprio escritório-senta e espera o cliente chegar.

As redes, por seu turno, surgem para possibilitar que pequenos e médios escritórios possam competir, em âmbito de atendimento, com os grandes, com algumas vantagens: as redes possibilitam combinar o atendimento mais próximo e pessoal com o cliente (característica de escritórios de menor porte) com amplo âmbito de atuação (principal vantagem de se contratar um grande escritório).

Uma grande e promissora rede de escritórios, que vem galgando bastante espaço na mídia é a Lex Perfecta (link), que, por ser bastante criteriosa na escolha dos seus associados e por efetivamente possuir um esforço de marketing e de posicionamento de mercado adequado, está crescendo a olhos vistos em número de negócios concretizados. Vale muito a pena acompanhá-los de perto.

[Não, este não é um post patrocinado, nem eu faço parte da rede...ainda! :D ]

- Mas se é tão bom assim, porque as redes não são a opção mais utilizada?

Vou lá saber? Até hoje não entendo como a idéia de marketing de alguns escritórios que vejo aqui em Brasília é colocar um cartaz bem grande: “Fulano Advocacia [ou seja, bloco de um homem só]: penal, família, empresarial, concorrencial, propriedade intelectual, direito de trânsito, trabalhista, constitucional, corto cabelo e pinto”. Ah, sim, sempre com fundo branco e letras garrafais em vermelho.

E, pior, tem gente que contrata!

Jurisprudência de Tribunais

Por fim, a mais evoluída e técnica de todas. Onde os fracos não têm vez. Essa é a opção para quem já está versado em juridiquês, sabe acompanhar as principais decisões dos Tribunais e tem interesse em descobrir quem foi o rainmaker desta ou daquela decisão.

Rainmaker é aquele advogado que fica ali isolado num canto do escritório que, sempre que surge um assunto diferente, nunca antes visto na história desse país, é trancafiado numa salinha isolada, alimentado regularmente por uma portinhola, e lhe é dito que só sairá de lá com uma tese do mal pra resolver o problema do cliente.

São os criadores de novas teses, modificadores de jurisprudência, Salvadores da Pátria! E podem ser “descobertos” pelas decisões influentes mais recentes.

Conclusão

A verdade é que todas essas escolhas serão influenciadas principalmente pela forma com que você quer se relacionar com seu advogado. Se você quer, ou não manter um contato próximo com ele. Se quer apenas que alguém resolva o problema, no matter what. Se você pretende manter um relacionamento posterior ao encerramento da causa. Se você acha que compensa investir na procura do melhor profissional para o seu caso.

De qualquer maneira, uma vez escolhido o advogado, você assinará um contrato.

E é esse o tema do nosso próximo post.

Direito & Mercado – Quem disse que o Direito não pode ser legal?

Se você gostou desse post, leia também:

  1. Contratando um advogado – III: O Preço!
  2. Contratando um advogado – II: O Contrato!
  3. Tenha o seu advogado!
  4. Como extrair o máximo de seu advogado – para freelas
  5. Oito dicas para extrair o máximo de seu advogado

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