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A imagem do advogado, por um não advogado

5 comments
A imagem do advogado, por um não advogado

Prezados leitores,

Este é um post rápido, ligeiro, escrito enquanto o chefe não olha e o cliente não liga.

Inspirado em um e-mail, enviado para uma lista de marketing jurídico da qual faço parte, por meu colega Rudinei R. Modezejewski (leia-se: “Mojdaerjaszovski”), proprietário da E-marcas e idealizador e fundador da Lex Perfecta (na qual ele ainda não me deixou entrar por puro preconceito étnico  e que já mencionamos em outra oportunidade) (UPDATE: para quem não entendeu, foi uma brincadeira com meu caro amigo Rudinei. Na verdade, desde o início de 2010 eu e o escritório ao qual sou associado, estamos na rede.), dou minha resposta à seguinte pergunta:

- Por que cobrar honorários justos (sim, EXISTEM honorários[bb] justos) é tão complicado?

Resposta óbvia: Por conta da imagem do advogado que permeia o senso comum!

Sir Millard Mulch
Creative Commons License photo credit: rick

- O quê? A imagem do advogado é ruim de uma forma geral? NÃO CREIO!

Pois, é, acredite você: o advogado é mal-visto no Brasil!

Quem aqui nunca ouviu (ou fez) comentários maldosos do tipo: “Cuidado com os bolsos, ele é advogado!”, “Sabe o que é uma van cheia de advogados no fundo do oceano? Um bom começo!” e a campeã “Sabe porque cobra não pica advogado? Ética profissional.”… se você riu de alguma delas, você NÃO é uma boa pessoa…¬¬

Há várias explicações para isso, aliás, fazendo uma mea culpa por todos os meus colegas de profissão, sempre joguei a culpa para o comportamento pouco ético de ALGUNS advogados, que, em bom português, “queima o filme” do restante.

O nobre colega que citei acima trouxe uma nova hipótese, que não tinha pensado ainda. Via de regra, os clientes, atuais e potenciais, estão mais preocupados com o que EU, advogado, vou ganhar, do que com o que ELES vão tirar de benefícios (ou deixar de perder) por me contratar!

Cansei de ouvir expressões do tipo “ah, meu advogado levou 10% de mim” ou então “O quê? Mas essa causa é ganha e vai ser ótimo pra sua experiência ter um cliente e um caso como o meu!”. Minha resposta é um sorriso educado, pois minha criação nipobrasileira me possibilita ser educado nas mais adversas situações. Claro que depois eu desconto no cachorro lá de casa (brincadeira, eu amo aquela peste peluda).

Meu sonho de consumo é que, em um dia que NUNCA VAI CHEGAR, qualquer um, qualquer pessoa, poderá ajuizar ação na justiça SEM advogado. Acho que, após um ou dois meses, passarão a valorizar o nosso trabalho.

Segunda hipótese: clientes acham que, por acreditarem (obviamente) que têm razão, o reconhecimento pela Justiça será imediato, automático: entrou, GANHOU! DING-DING-DING! O papel do advogado é só colocar os fatos no papel, misturar com palavras mágicas do tipo quantum satis, periculum in mora, fumus boni iuri, hocus pocus alakazam e “VOALÁ!” grana no bolso!

Data venia, não.

Rudinei fez uma comparação com relação aos advogados norte-americanos. Lá, a coisa é diferente, clientes lá dizem com orgulho: “resolva isso com MEU ADVOGADO”. Aqui, não. Aqui, MESMO QUANDO O CLIENTE GANHA A CAUSA, aparentemente fica aquele gostinho de “o advogado ganhou mais do que merecia” ou, o já tradicional, “o advogado me levou TANTO”.

Aliás, ser associado a um advogado?! Pra quê? Por que motivos você precisa ter um advogado no speed dial? (cochicha-cochicha…ser associado a um advogado te dá uma imagem de picareta)

Como esse blog não é acessado por empresas que possuem diretores jurídicos, não vou nem adentrar a imagem que eles, em geral (apesar dos perigos da generalização) fazem de nós, quando terceirizam algum trabalho. Simplifiquemos assim: se ele é um diretor jurídico e você NÃO É… bem… pra quê palavras, certo?

Outro… estereótipo que acompanha todos os advogados. Considerando que somos as únicas criaturas (não paulistas) que andam 16 horas por dia de de terno (nem GERENTE DE BANCO anda tanto de terno quanto nós – cara, nem juízes!) e considerando o PREÇO de um terno e gravata que VOCÊ gastou na última vez que vestiu um terno (enterros, formaturas, casamentos), certeza que essa fuinha que fala difícil ganha bem o suficiente pra te fazer um “favorzinho”.

Saibam vocês que, segundo o quadro de profissões com melhor desempenho financeiro divuglado na última Veja, os advogados estavam em 17º. DÉCIMO SÉTIMO! Particularmente, se eu pudesse, trabalharia de calça jeans surrada o dia inteiro (menos pra atender cliente, porque aí já é desrespeito).

Direito & Mercado  – Quem disse que o Direito não pode ser legal?

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  1. Creio firmemente que existe advogados que se importam com o cliente. Todavia, achar a “agulha no palheiro” é complicado. Moro numa sala ampla de duas peças (garagem), sem banheiro e com água do vaso sanitário do banheiro da casa que fica em cima pingando borbotões onde moro(perdi guarda-roupas, armários de madeira, roupas vivem mofadas e fedendo), já por vinte anos (Deus que me livre de tanto mal). Sabe quem são os moradores de cima? Minha querida mãezinha e duas irmãs. Mal nascida é triste:(
    Por que 20 aninhos assim? Por que o advogado levou 12 anos para fazer o inventário(morte de meu pai) e ainda por cima fez errado(como o juíz aprovou, não sei), Antes de meu pai falecer, a casa estava no nome de meu irmão e este faleceu sem deixar filhos. Resultado: Foi feito o primeiro inventário que levou um bocado de tempo e ainda pela metade. Pela metade? Sim. O advogado fez o inventário de metade do terreno e da casa(como isto passou pelo juíz é um mistério para mim). O resultado desta confusão é que no segundo inventário o terreno e a casa não tinham como dividir (ao meu ver isto está errado) para quatro pessoas. Mãe e três filhas. Foi feito condomínio. O terreno mede cinquenta metros de frente e vinte e cinco de fundos e a casa foi construida bem na esquina(casa com 12 peças grandes). Terreno de esquina.
    Qual o problema de tudo isto. O advogado me olhou como alguém sem valor. Eu até entendo afinal quem pagou o inventário foi minha mãe.
    Esta é uma das tristes experiências com os resultados que os advogados deixaram na minha vida.
    Eu cheguei a conclusão que advogado é para quem tem. Não para quem precisa. Quem precisa engole o sapo.
    Talvez eu ainda encontre um profissional da área que mostre tudo ser diferente. Eu acreditava que advogado defendia uma causa sem prejudicar os demais participantes dos problemas, no entanto descobri que o advogado defenderá seu cliente e olhe lá. (Os outros que se danem) este foi meu caso. Quem sabe ainda consigo encontrar o advogado que me olhe como cliente que vale a pena investir.

  2. Henrique Arake says:

    Bom… isso é REALMENTE muito complicado. E por vários motivos. O primeiro de todos é a falta de comunicação advogado/cliente. É um erro muito comum, infelizmente. O advogado achando que o cliente não vai entender e o cliente esquecendo de perguntar… Pode até ser que, dando um voto de confiança ao advogado, este tenha trabalhado direito e que a partilha esteja correta. De que adianta se o cliente ficou com a impressão de que houve erro?

    O trabalho do advogado é lidar com a burocracia de leis e normas pros seus respectivos clientes. E existe muito advogado que faz isso bem. Pare pra pensar: numa lide, alguém ganha e alguém perde. É claro que, quando o cliente ganha, a relação deste com seu advogado é uma lua-de-mel dos anos 40… e quando perde? Aí entra a qualidade do profissional, pois se ele realmente atuou de maneira proba, diligente, proativa, etc… acompanhando e mantendo seu cliente atualizado a respeito do andamento dos processos, dando-lhe expectativas reais acerca do êxito, bom… fica claro pro cliente que o desfecho desfavorável é um problema da vida em sociedade, fazer o que.

    Em suma, se todo cliente que perdesse a causa ficasse com raiva do respectivo advogado, ia ter muito profissional falido por aí.

    Uma pena que sua experiência jurídica não tenha sido satisfatória… espero que, no futuro, outros profissionais desfaçam a imagem ruim que o seu advogado deixou para você!

    Um abraço e obrigado pela participação!

  3. Henrique,

    A coisa é tão complicada que uma vez vi uma charge que dizia:

    “Assim nascem os advogados”

    A imagem era a seguinte:

    Uma porca gigantesca, saia de dentro dela (sem detalhes, please!) um senhor, calvo, já de terno e gravata e com uma pasta na mão.

    Complicado mudar uma percepção enraizada desta forma, não é?

    Veja só, agora a pouco no Fantástico teve uma matéria sobre pedofilia, mostraram vários casos, mas o único que citou a profissão foi um advogado… os outros não citou…

    (Sim, eu vi que um deles é sargento da marinha, mas estou falando dos que não foram presos, gravados, mas não presos).

    Porque isso?

    Explico: Porque o Advogado, em tese, deveria ser um defensor da lei, pedofilia é crime, portanto, nesta matéria, o pior de todos foi o advogado, talvez se tivesse um padre, pastor ou algo assim fosse ele o alvo da matéria… mas não tinha.

    Abraço e sucesso!

    PS.: Que tal esclarecer a questão da sua entrada na LexPerfecta e do preconceito étnico?

    Você não só entrou na rede como ainda teve minha dedicação especial, afinal, sou seu fã.

    Eu sei que foi brincadeira, mas eu sendo Polonês, de decendência judia (meus avós eram “novos cristãos” pós-guerra) fica muuuuito chato, além de não ser verdade – A-DO-RO (mesmo!) a cultura oriental.

    Rudinei R. Modezejewski
    http://www.e-marcas.com.br
    http://www.lexperfecta.com.br
    http://www.xing.com/profile/Rudinei_Modezejewski

  4. Sem problemas, vou corrigir já :D

  5. Carol
    Twitter:
    says:

    Olha… Não é por estar em sua presença, meu nobre rapaz, mas você é o ÚNICO advogado que já conheci até hoje de quem eu gosto.

    E pior, é acontecimento atrás de acontecimento que só fazem piorar esta imagem.

    No que me diz respeito, você é a exceção que comprova a regra.

    #foimalaê

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