Em que planeta eu vivo?

January 9th, 2010 § 18 comments

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Em 16.06.09, publiquei um post entitulado “Tenha o seu advogado (link)!” no Direito & Mercado (link), em que conversei, rapidamente, sobre a necessidade de se ter um advogado de sua confiança. Alguém para se consultar ANTES de realizar um projeto, ou seja, preventivamente, e não reativamente, ou seja, quando o problema já tiver ocorrido.

Foi um texto bastante interessante, que teve boa repercussão.

Porém um comentário, que não publiquei porque não gostei da linguagem utilizada, me deixou incomodado. Reproduzi-lo-ei (caramba, hein?) abaixo, com o português corrigido:

“Post fora da realidade. Em (cidade de origem), um advogado iniciante ganha em torno de 900 a 1.100 reais, olhe os classificados no site da oab (daquela região), e no resto do Brasil não muda muito. Não sei em que planeta você, vive mas se eu ganhasse 2500 por mês estaria feliz da vida. Sou advogado, fui aprovado no exame da oab logo na primeira vez que o prestei, estagiei na área durante os 5 anos de curso e tive dificuldades de entrar no mercado”.

Por onde começar? :D

Most Earthlike Exoplanet Started out as Gas Giant
Creative Commons License photo credit: Goddard Photo and Video Blog

Peço licença, ou, em juridiquês, data venia, tem muita gente que ficaria feliz da vida até com menos que R$ 2.500,00!  Que legal! Parabéns! Eu não.

Minha realidade é parecida com a descrita: também sou advogado, passei de primeira no exame da ordem e sempre estagiei na área.

A diferença é que, modéstia à parte, não considero que tive grandes dificuldades para entrar no mercado de trabalho e, muito menos, me contentei com um salário de R$ 2.500,00, sempre busquei mais do que isso.

Na minha opinião, a adequabilidade de um salário não pode ser aferida em termos absolutos, mas em comparação ao valor do profissional.

Particularmente, considerando a dedicação com que realizo meu trabalho, a extensão das minhas pesquisas para cada caso que pego, bem como o meu currículo escolar e profissional, sei o valor que o mercado me dá, mas, principalmente, sei o valor que EU me dou, e ele não é baixo.

Respeito a opinião de quem se contenta com valores mais baixos se está ciente de que sua capacitação profissional não lhe dá espaço para exigir mais. Porém, se você se considera um profissional capacitado, experiente, criativo, etc., mas se contenta com um valor baixo… bem, aí não.

Aí o problema é de auto-estima.

Se você gostou desse post, leia também:

  1. Coisas que vivo procrastinando
  2. O comercial “Eduardo e Mônica” da Vivo é plágio?

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  • http://atocriativo.org Gustavo Nogueira

    Estreando a sessão de comentários do seu novo blog.

    Concordo o post, Henrique. Os profissionais capacitados do nosso país precisam superar os problemas de auto-estima e aprender a se dar valor.

  • http://atocriativo.org Gustavo Nogueira

    Estreando a sessão de comentários do seu novo blog.

    Concordo o post, Henrique. Os profissionais capacitados do nosso país precisam superar os problemas de auto-estima e aprender a se dar valor.

  • http://www.ayame.com.br Marcos Cesar

    Eu acho complicado discutir salários desejáveis. Lembro uma vez quando eu fiz uma pesquisa de salários médios na área de informática e me assustei. Eu mesmo moro em Sergipe e a realidade econômica daqui é como posso dizer… impraticável na maioria dos estados brasileiros. Eu espero que o autor do comentário seja de uma dessas regiões, onde o salário de 2.500,00 deva ser luxo. Aqui em Sergipe eu garanto que é. ¬¬

  • http://www.ayame.com.br Marcos Cesar

    Eu acho complicado discutir salários desejáveis. Lembro uma vez quando eu fiz uma pesquisa de salários médios na área de informática e me assustei. Eu mesmo moro em Sergipe e a realidade econômica daqui é como posso dizer… impraticável na maioria dos estados brasileiros. Eu espero que o autor do comentário seja de uma dessas regiões, onde o salário de 2.500,00 deva ser luxo. Aqui em Sergipe eu garanto que é. ¬¬

  • Henrique Arake

    Valeu, Gust!

    Rapaz, e o pior é que os iniciantes no mercado podem se sentir abalados com isso. Que a sua falta de experiência profissional oblitere o que ele pode oferecer para seus clientes em profissional.

    Sofri pesado com isso. Em sua maioria, infelizmete, meus primeiros contatos profissionais denegriram meu trabalho, acharam que uma petiçãozinha, um contratozinho, não valia o que eu estava cobrando (e olhe que cobro muito perto da tabela mínima da ordem).

    Considerando que moro em uma cidade em que, por ano, cerca de 7 mil bacharéis se formam… bem… é uma perspectiva bastante assustadora pra um recém-formado. Hoje vejo que a decisão de não me diminuir perante o mercado foi a mais acertada. Nenhum profissional é feliz se não receber remuneração que considere justa para si. Essa é a verdade.

    Abraços, companheiro!

  • Henrique Arake

    Valeu, Gust!

    Rapaz, e o pior é que os iniciantes no mercado podem se sentir abalados com isso. Que a sua falta de experiência profissional oblitere o que ele pode oferecer para seus clientes em profissional.

    Sofri pesado com isso. Em sua maioria, infelizmete, meus primeiros contatos profissionais denegriram meu trabalho, acharam que uma petiçãozinha, um contratozinho, não valia o que eu estava cobrando (e olhe que cobro muito perto da tabela mínima da ordem).

    Considerando que moro em uma cidade em que, por ano, cerca de 7 mil bacharéis se formam… bem… é uma perspectiva bastante assustadora pra um recém-formado. Hoje vejo que a decisão de não me diminuir perante o mercado foi a mais acertada. Nenhum profissional é feliz se não receber remuneração que considere justa para si. Essa é a verdade.

    Abraços, companheiro!

  • Henrique Arake

    Pois é, rapaz. Aqui em Brasília, o custo é próximo do de São Paulo. E o do autor do comentário é de uma capital de um Estado bastante rico da região sul, o que contribuiu para o meu espanto.

    Para se ter idéia do custo de vida aqui em Brasília, um apartamento de cerca de 90m2, no Plano Piloto, não sai por menos de R$ 400 mil (apartamentos minimamente decentes, ok?).

    Outro ponto a se considerar é que grande parte da renda dos brasilienses é oriunda do serviço público. Não sei o percentual exato, mas se me falassem que passa dos 70%, não me espantaria.

    E renda de servidor público federal é considerável!

    Estou ciente que ganho bem mais do que a média salarial, mas… fazer o quê? Considero-me um profissional acima da média também, ué! :D

    Abraços, meu caro!

  • Henrique Arake

    Pois é, rapaz. Aqui em Brasília, o custo é próximo do de São Paulo. E o do autor do comentário é de uma capital de um Estado bastante rico da região sul, o que contribuiu para o meu espanto.

    Para se ter idéia do custo de vida aqui em Brasília, um apartamento de cerca de 90m2, no Plano Piloto, não sai por menos de R$ 400 mil (apartamentos minimamente decentes, ok?).

    Outro ponto a se considerar é que grande parte da renda dos brasilienses é oriunda do serviço público. Não sei o percentual exato, mas se me falassem que passa dos 70%, não me espantaria.

    E renda de servidor público federal é considerável!

    Estou ciente que ganho bem mais do que a média salarial, mas… fazer o quê? Considero-me um profissional acima da média também, ué! :D

    Abraços, meu caro!

  • http://www.pastorclaybom.com.br Pastor Claybom

    Parabéns camarada!! Que venham agora os leitores e comentários!!

  • http://www.pastorclaybom.com.br Pastor Claybom

    Parabéns camarada!! Que venham agora os leitores e comentários!!

  • Henrique Arake

    Deus te ouça, pastor!

  • Henrique Arake

    Deus te ouça, pastor!

  • http://holiveira.com Humberto Oliveira

    Isso se aplica perfeitamente ao profissional freelancer durante quase toda a sua vida profissional, não somente quando está começando.

    Muitos sequer sabem quanto valem e quanto o seu trabalho representa de lucro para os clientes, por isso continuam cobrando num patamar inferior ao que deveriam e depois se espantam quando não são valorizados pelos seus contratantes.

    Esquecem que vivemos numa sociedade capitalista e que, na falta de outros parâmetros de comparação, o valor de um produto ou serviço é o principal critério para avaliação da sua qualidade, tanto para cima quanto para baixo.

  • http://holiveira.com Humberto Oliveira

    Isso se aplica perfeitamente ao profissional freelancer durante quase toda a sua vida profissional, não somente quando está começando.

    Muitos sequer sabem quanto valem e quanto o seu trabalho representa de lucro para os clientes, por isso continuam cobrando num patamar inferior ao que deveriam e depois se espantam quando não são valorizados pelos seus contratantes.

    Esquecem que vivemos numa sociedade capitalista e que, na falta de outros parâmetros de comparação, o valor de um produto ou serviço é o principal critério para avaliação da sua qualidade, tanto para cima quanto para baixo.

  • Henrique Arake

    Pois é. Particularmente no Direito, me impressiona uma pessoa que, por culpa sua, está com, sei lá, meio milhão em litígio, mas acha que investir 50k em sua defesa é exagero.

    Nesse caso, acredito piamente na regra da equivalência: se você pagar 50k, terá uma defesa que VALE 50k; se pagar 5k, terá uma defesa de 5k.

    Eu sei que a formação de preço é uma das tarefas mais difíceis do profissional, mas eu tenho certeza que nem 5% dos profissionais que conheço teve o trabalho de ler UM livro sobre marketing ou precificação de serviços… daí vivem a reclamar da vida!

    Valeu pela sua contribuição, Humberto! Abraços!

  • Henrique Arake

    Pois é. Particularmente no Direito, me impressiona uma pessoa que, por culpa sua, está com, sei lá, meio milhão em litígio, mas acha que investir 50k em sua defesa é exagero.

    Nesse caso, acredito piamente na regra da equivalência: se você pagar 50k, terá uma defesa que VALE 50k; se pagar 5k, terá uma defesa de 5k.

    Eu sei que a formação de preço é uma das tarefas mais difíceis do profissional, mas eu tenho certeza que nem 5% dos profissionais que conheço teve o trabalho de ler UM livro sobre marketing ou precificação de serviços… daí vivem a reclamar da vida!

    Valeu pela sua contribuição, Humberto! Abraços!

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