Drops de Arake #2 – O “Fuck Google” pode dar cadeia?
Perguntaram no twitter:
“Já que Google é uma marca registrada, isso pode dar cadeia, não é?”
“Isso” é, aparentemente, uma campanha criada por “artistas” alemães para, deliberadamente, prejudicar aplicativos do Google ou sua imagem corporativa.

photo credit: _heather_r_
Fazendo um tremendo esforço para não tecer nenhuma crítica desconstrutiva a respeito do que penso de zé-ruelas que não têm absolutamente nada o que fazer e procuram obter fama e reconhecimento às custas do sucesso alheio, vou me restringir (rangendo os dentes) à pergunta que me foi feita.
A pergunta que deve ser respondida, antes de tudo, é: “Se existe alguma utilidade ou, melhor dizendo, alguma finalidade, já que não posso presumir que dessa ‘brincadeira’ possa sair algo de útil, para se criar um ‘Fuck Google’, qual seria?”
A única finalidade que consigo imaginar seria, em bom português, sacanear a Google e obter sucesso com isso.
Que tipo de sacanagem?
Bom, em juridiquês, “sacanagem” seria abalar a imagem corporativa da Google, ou seja, fazer com que a empresária seja ridicularizada e, de algum modo, prejudicada com o “movimento”.
E que tipo de sucesso poderia ser obtido com essa atitude?
Novamente, demonstrando o alto cunho moral, intelectual e de amadurecimento dos “movimentistas”, o sucesso seria obtido pela divulgação pelo planeta, inclusive pela própria prejudicada, da idéia genial que eles tiveram. E só.
Claro, talvez eles obtenham algum ganho financeiro de algum outro desocupado, ou pior dizendo, de algum concorrente que tope patrocinar essa babaquice, mas não creio que seja esse o intento original.
Em outras palavras, desejam prejudicar a imagem da empresa com a finalidade de obter para si algum ganho.
Vamos, primeiro, analisar se estão cometendo um crime.
Não se trata de difamação, pois apenas pessoas físicas podem ser sujeito passivo desse crime.
Não é crime contra registro de marca, pois a idéia deles não é induzir confusão na clientela do Google (é O Google ou A Google?) nem usar a marca “Google” em produto de sua propriedade para vender como se daquela empresária fosse.
Não é crime de concorrência desleal porque, até onde se sabe, eles não são concorrentes do Google e também porque a finalidade deles não se encaixa em nenhuma das hipóteses legais (confesso preguiça de detalhar todas aqui).
Em suma, pode dar cadeia? NÃO.
Então não há nenhuma conseqüência? Claro que há: Dano moral!
Resta saber se, estrategicamente, vale a pena desperdiçar meia dúzia de páginas com uma besteira dessas e dar a eles a publicidade que eles tanto desejam.
Antes de encerrar esse “Drops”, peço que se por acaso algum leitor ficar ofendido porque ousei criticar o relevantíssimo movimento “Fuck Google”, por favor explique nos comentários os “porquês” , pois confesso, também, que não tive o menor interesse de conhecer esse movimento. Lembrando apenas que, independentemente da relevância de se criticar o Google, essa empresa capitalista do mal que não enviou um centavo para as vítimas do Haiti nem faz nada para aplacar a fome na África, o fato é que um movimento criado com a finalidade única de lhe prejudicar a imagem dá ensejo a dano moral e ponto.
Henrique Arake
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Eu estava ignorante aqui, acreditando que o “Fuck Google” era um buscador pornô baseado no Google. Até pensei “por que um nome tão grande? Foockle seria tão mais engenhoso”. Mas enfim… Duvido que o Google precise se preocupar com isso. Eles passam rápido.
Isso é tipo algo que passa despercebido aos meus olhos. Como se fosse uma combinação engraçada! Também não tenho interesse de saber muito sobre o movimento.
Um detalhe, neste natal passado o google anunciou ajuda filantrópica contra pobreza, não arrisco dizer a quantidade pois não me lembro com certeza!
Abração!!!
Oi, Dani-el! Pois é. A questão é que, na minha opinião, a Google tem tanta obrigação em fazer filantropia quanto eu e você, ou seja, eu acredito que TODOS devamos fazer isso, mas não vou reprimir, apontar o dedo e julgar quem não o faz. Eu acredito que todos devamos fazer isso, porque acredito que “microtrends” já mostraram o que podem fazer. Mas é um dever de cunho moral, a pessoa precisa acreditar nisso e ninguém deve obrigá-la.
Do mesmo modo que julgaram, há um tempo atrás, determinado jogador de futebol que, depois de fazer sucesso, comprou uma Ferrari. “Nossa, mas que absurdo! Em vez de ajudar a comunidade de onde veio.”
A questão é que hoje qualquer um, principalmente os mais “engajados” se julgam no direito de… bom… de julgar os outros, pois assim eles se sentem melhor com o que fazem.
É, quem tem mais deve ajudar mais!
Já ouvi muitas vezes que se a cobrança de impostos (fugindo do assunto) fosse proporcionalmente cobrada, o quadro de pobreza já teria sido virado a tempos. O que acontece é que a realidade é outra, ou, é muito tarde para mudar o sistema econômico do Brasil!
Abraços!!
Bom, não foi bem isso que eu quis dizer. Eu acho que ajuda quem acha que deve, o Governo tem a obrigação de distribuir os recursos financeiros da sociedade mediante a coleta de impostos, mas não acho que só isso seria a solução. Existem muitos gargalos burocráticos nessa distribuição e a absoluta falta de controle “a posteriori” facilita o desperdício causado pela corrupção.
Existem vários trabalhos interessantes sobre “o custo da corrupção”, se você tiver interesse eu posso divulgar uns por aqui.
Abraços!
Olá, achei bacana o seu Blog, cheguei até aqui através do carreira solo.
babaquices e “chamativos de atenção” sempre existiram, e com a Internet ficou fácil de se replicar tais atos.
Gostari sim de sua divulgação dos trabalhos, artigos sobre “o custo da corrupção”.