Que livros deveria ler?
Post originalmente publicado no Carreira Solo em 19.02.2010.
Essa é uma pergunta interessante.
A maioria das pessoas imaginam que aqueles profissionais extremamente bem-sucedidos o são em razão de sua incrível competência técnica.
Competência essa adquirida pela leitura ininterrupta de centenas de livros de sua própria área, dezenas de cursos de especialização, etc… etc…
Em suma, o senso comum diz que a leitura de livros técnicos é indispensável para se tornar um bom profissional.
Data venia (juridiquês 1), não é tão simples assim.
Independentemente da sua área de atuação, se você permanece nela, posso supor, ao menos, duas coisas:
1. Você é, pelo menos, mediano na sua profissão, pois do contrário já teria buscado alternativas.
2. Você possui conhecimento técnico suficiente, afinal, você é, pelo menos, mediano.
O que quero dizer é que é obrigação do profissional possuir conhecimento técnico. Isso é pressuposto para ele estar no mercado, ora essa.
Por mercado, estou excluindo serviço público, ok?
Sendo assim, se um dia alguém te perguntar “Que livros devo ler?” e você indicar apenas livros técnicos da área da criatura indômita, desculpe dizer, mas você não está contribuindo em nada para a vida desse alguém.
Ora, a menos que o pedido de indicação seja para construir uma bibliografia adequada para a feitura de um artigo técnico ou uma monografia, esse alguém está pedindo orientações para que se torne um bom profissional, alguém de destaque nessa vida.
E se esse alguém sentiu essa necessidade, significa que ele percebeu que simplesmente aprimorar-se na área técnica não será suficiente.
Essa simples constatação já o torna além do medíocre e uma resposta simplória o fará parecer… simplório!
O profissional competente deve ser, na minha humilde opinião (IMHO – segundo @aguarras), um especialista generalista.
#Porréessa?
Ele deve, sim, concentrar-se em uma área técnica, para não perder o foco de seu trabalho (dói na alma os advogados criminalistas, civilistas, trabalhistas, tiro-sua-multa-e-trago-o-ente-amado-amarrado-na-palma-da-mão), mas, e aqui está a chave, não se restringir a uma única visão, a uma única abordagem!
Ora, vejamos pela óptica de um Juiz… melhor, um Ministro do STF.
Você, jovem promissor advogado, é chamado para fazer uma sustentação oral.
Na sustentação oral, quando o processo do seu cliente é colocado em pauta para julgamento, você é chamado para “apresentar o seu caso” para os Ministros.
Você tem duas escolhas nesse momento:
1. Tentar mostrar pros Ministros todos os aspectos jurídicos, doutrinários, jurisprudenciais DOMAL que você conseguir pensar. Juntar todos aqueles autores de milnovecentosepedralascada, acrescentar uma pitada de decisões de outros Tribunais ou, MELHOR, do PRÓPRIO STF e mostrar pros Ministros o quanto você sabe e domina a matéria e veio ali para esclarecer as coisas.
Um pequeno parênteses… suponhemos que todos aqueles Ministros chegaram onde estão porque, bem… porque estudaram muito e demonstraram “notório saber jurídico”, além da “ilibada reputação”.
Eles provavelmente tem 40 anos de profissão a mais do que você tem de idade.
Eles já leram todos os livros, eles conhecem a própria jurisprudência… HELL, eles provavelmente já escreveram livros sobre o mesmíssimo assunto que você agora busca esclarecer!
Você acha mesmo que, por essa abordagem, trará alguma novidade para os autos?
2. Supor que os Ministros não estão onde estão à toa e trazer para os autos uma nova óptica!
Vamos tentar não falar de Direito!
Vejam bem, não estou sugerindo que você tome o tempo deles pra ficar de bate-papo inútil, porém, se você tem a oportunidade de falar para eles sobre o seu caso, aproveite essa oportunidade!
Mas como você fará isso se você só lê textos jurídicos? Como você trará uma nova visão aos autos se você, bem… não possui essa visão?
“Que livros devo ler?”, você me pergunta?
Leia (bons) livros de Administração, Marketing, Economia, Psicologia, Logística, etc…
Aprenda a pensar estrategicamente, desenvolva habilidades mentais diferentes dos seus pares:
- Se Jurista, aprenda Cálculo;
- Se Administrador, estude Direito;
- Se Psicólogo, leia sobre estatística;
- Se Economista, conheça neuroanatomia!
Tenha, por fim, uma visão geral sobre as outras áreas do conhecimento, seja um especialista generalista!
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Eu concordo, mas discordo… Acredito ser problemático para o profissional – nos termos do desempenho das funções – ampliar seus horizontes por demais, principalmente se as informações obtidas não puderem ser relacionadas de alguma forma ao caso que se apresenta. Não tem muita utilidade conhecer o funcionamento do LHC de cabo a rabo e entender a Física para um dentista – a menos que ele seja transportado a um futuro distante e precise desses conhecimentos para obturar cáries num Na’vi. E nem aí isso será útil, acho…
Ah, sim… falha minha! Quando quis convidar para que profissionais lessem sobre outras áreas do conhecimento, não quis dizer áreas completamente dissociadas!
Para o jurista, por exemplo, acho essencial que tenha conhecimentos de Ciência Política, Economia, Psicologia e Sociologia, porque são ciências com teorias capazes de explicar o mundo (coisa que o Direito não faz), e também de Administração, Marketing, etc. para poder administrar melhor sua vida profissional (o que não se aprende no curso).
Particularmente, além disso tudo, eu estudo elementos básicos de probabilidade e estatística, cálculo, etc. para complementar minha formação.