
O @mattbrian sugeriu como pauta a seguinte pergunta: “Como estará a advocacia daqui a 5 anos?”
Tomei a liberdade, que meus MUITOS ANOS de experiência me permitem, e resolvi escrever sobre como acho que o próprio DIREITO estará daqui a 5 anos.
Alguém aqui quer saber a resposta? Ela pode ser bastante decepcionante…

photo credit: Orin Zebest
Resposta: Não tenho a mínima idéia!
Grandes b@#$ esse post, hein, Henrique? Takêopariu!
Calma… sério… antes que a onda de unfollowrização comece, deixe-me explicar.
SÉRIO, deixa eu explicar!
Já notaram que sempre que um jornalista entrevista uma célebre autoridade em algum assunto essa é uma pergunta que não pode faltar? (Junto, é claro, das famosas: “Você está triste pela morte de seu filho?” ou “Você está feliz pelo seu time ter vencido a final do brasileirão?” – Meu sonho secreto é que alguém mande um ao vivo: Porra, repórter, porra! O que você acha?)
- Senhor economista-que-está-na-moda, agora que a crise financeira passou, quais são suas previsões para o mercado financeiro para os próximos 5 anos?
Resposta honesta que passa pela cabeça do economista: “5 anos? Como assim? De onde esse cara tirou esse número? E o pior… como EU vou saber disso? Se eu soubesse, garanto que não estaria aqui dando entrevista. Hah! Se EU SOUBESSE, não contaria a ninguém, ora essa… e agora, o que respondo?”
Resposta que sai na entrevista: “Ora, considerando-se a conjuntura econômica hodierna, bem como a atual situação macroeconômica do país, espero que o Brasil mantenha sua política de busca por um superávit primário que, por seu turno, contribuirá para uma redução na taxa básica de juros. Por outro lado, se a política de regulação financeira mundial não atentar para uma necessidade de maior fiscalização nos mercados financeiros e, principalmente, sobre os derivativos [tan-daaaaaam], é de se esperar que venha, novamente, uma forte crise financeira que irá corrigir as distorções de mercado…”
Eu não entendi. Você TAMBÉM não entendeu (até porque eu INVENTEI esse texto agora, em 5 segundos, e estou te dizendo que não faz sentido ALGUM). O jornalista TAMBÉM não entendeu… Hell, o modafucka ECONOMISTA NÃO ENTENDEU!
Mas tudo bem, a pauta foi fechada, ninguém vai contadizer mesmo, pronto. Missão cumprida.
Nem tanto.
Analistas do Brasil inteiro, a depender do quão na moda o economista esteja, passarão a debulhar esse discurso sem qualquer conteúdo e aconselharão seus clientes com base nessas “previsões”.
- Muito bem, flipper. Grandes porcarias você criticar o trabalho dos especialistas desse jeito. Acontece que ELES SABEM DO QUE ESTÃO FALANDO e o fato de VOCÊ, seu japonês de #@$, não ter entendido, não significa que estejam errados ou chutando.
Ah é, né? Então tá. Vamos fazer o seguinte… preveja os SEUS próximos 5 anos de vida.
Vamos lá! Ou você não é o maior especialista do mundo na sua própria vida?
Não me venha com esse papinho de que existem muitas variáveis a se considerar, pois sua vida NÃO É MAIS COMPLEXA que todas as relações micro e macroeconômicas do mundo, que seriam necessária, efetivamente, realizar as previsões solicitadas pela jornalista.
- …
É fica quietinho, aí. Mecânica determinística não funciona num mundo regido por mecânica estatística. É simples assim!
A pergunta realmente inteligente que um jornalista poderia fazer é:
- Considerando-se que é IMPOSSÍVEL prever como a economia estará daqui a 5 anos, o que o senhor aconselha para se prevenir contra situações de crise, mas, ao mesmo tempo, não engessar minhas finanças de modo a poder aproveitar eventuais oportunidades de investimento?
- E qual seria a pergunta ideal para ser respondida a respeito do Direito?
Em minha não tão modesta opinião (porque eu me acho – brincadeira!), a pergunta ideal seria:
- Considerando-se que é IMPOSSÍVEL prever como o Direito estará daqui a 5 anos, o que você aconselha para se prevenir contra eventuais mudanças de jurisprudência, que podem impactar, gravemente, meus projetos, mas ao mesmo tempo, não engessar minhas ações de modo a poder aproveitar eventuais oportunidades em minha vida?
Minha resposta? Procure manter um advogado de sua confiança que possa aconselhá-lo, não sobre o que fazer para não incorrer em nenhum risco jurídico, mas, sim, sobre as possíveis conseqüências, boas ou ruins, de determinada decisão de modo que você saiba o que esperar, qualquer que seja o desfecho.
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Carlos
