Warren Buffett sabe futebol. Você, não.

June 25th, 2010 § 7 comments

wb

photo credit: m_bahareth

Conta a lenda que um lendário investidor, conhecido como Warren Buffett (o homem, a lenda…), vendeu uma apólice de seguros para… bem… a lenda não conta para quem, mas conta o seu conteúdo:

“Caso a França fosse campeã da Copa de 2010, eu te pagarei U$ 30 MILHÕES” – dizia a lendária apólice.

- Mas, oh… douto storyteller… conte-me por que, OH DEUS, por que A Lenda fez um negócio como esses? Aliás… QUEM NESSE MUNDO emitiria seguros envolvendo algo tão… tão aleatório como jogos de futebol? Isso é, em qualquer caso, legal?

Ah… pequeno gafanhoto… isso é possível graças a duas maravilhosas invenções da humanidade: a livre iniciativa e o hedge.

A livre iniciativa diz que todo cidadão tem o direito de iniciar o empreendimento legal que quiser.

Em outras palavras, não só o objeto do empreendimento deve ser lícito, como a forma de exploração também (nada de bar “só branco entra”, por exemplo).

E por que isso é importante? Porque a criatividade humana é, dizem, infinita, e não teria sentido algum restringir a exploração econômica às atividades que o legislador conseguisse imaginar.

Imaginem um certo diálogo hipotético, travado em mil oitocentos e espingarda-de-pedra entre um certo farmacêutico, criador de um xarope para tosse à base de cola, e um burocrata governamental:

Plaquinha: “Setor 27-B: registro de novas idéias para negócios”

- Boa tarde!

- Pois não, cidadão?

- Gostaria de registrar minha idéia para um novo negócio que pretendo explorar.

- Sim, e em qual inciso sua idéia se encontra?

- Anh… em nenhum. É uma idéia nova. Uma NOVA idéia! Aqui não é o setor de registro de  idéias novas para negócios?

- “NOVAS idéias para negócios”, cidadão, é sim. Mas mesmo as novas idéias devem se adequar a uma das idéias gerais previstas no Código de Idéias para Negócios.

- Ah… bem… deixa eu ver o código… AH, SIM! Eu acho que ela poderia se enquadrar no inciso LMMMDCCCXI: “todas as novas idéias que não estiverem previstas nos incisos anteriores, deverão ter sua finalidade, utilidade, viabilidade aprovada pelo responsável pelo registro de novas idéias para negócios”!

- Sim?

- Então?

(Aponta para a plaquinha) – Sim?

- Ah, claro! Então minha idéia é a seguinte: criei um xarope para tosse à base de cola. Mas daí, acidentalmente, misturei com água gaseificada e descobri um saborosíssimo líquido espumante e refrescante que gostaria de vender para a população com o nome de “Líquido Refrigerante à Base de Cola”!!!! “Ópio-Cola”!!!!

- Que nome estranho! Por que o ópio?

- Ah, são uns pequenos detalhes da fórmula original, não precisa se preocupar. No futuro fará sentido.

- Mas… por que as pessoas haveriam de tomar um líquido refrigerante se já temos água, cerveja e uma série de outras bebidas?

- Ora… como responder… bom, é diferente! Possui um sabor peculiar! E não nos deixa bêbados! Será um sucesso, eu garanto!

- Hmmm… achoquenãohein!

- Mas… mas… eu quero arriscar! Eu quero investir meus recursos nisso!

- Hmmm… achoquenãoMESMOhein! Veja bem – e eu sou um especialista nisso (aponta pra plaquinha novamente) – EU não consigo imaginar um negócio desses dando certo… acho que o senhor vai desperdiçar o seu tempo.

- Mas… mas…

- Sinto muito, seu pedido está negado porque eu não consigo imaginar que seu negócio possa ter sucesso. Próximo? O que é isso? “Remédio feito à base do fungo peni…peniliuum… peniii”, ah… cai fora daqui, próximo!

Bom… ainda BEM que existe a livre iniciativa, né? Há quem não goste, mas tudo bem.

Voltando para o homem, A Lenda, ele observou o mercado de seguros. Para que as pessoas compram seguros? Para transferir os riscos de seus negócios ou de sua vida para quem esteja disposto a corrê-los.

Nós, brasileiros, estamos muito acostumados com seguros, mas apenas com algumas modalidades que “fazem sentido”.

Seguro de automóveis, de vida, de saúde…

Seguro contra incêndios, contra assaltos/roubos, contra enchentes!

Até alguns famosos seguros “bizarros” do ganha-pão de celebridades: Pernas da Cláudia Raia, derrière (é assim que se escreve isso) da Carla Perez, entre outros.

Mas… futebol? Fazer seguro contra um jogo da Copa do Mundo? Alguém consegue ver uma utilidade nisso?

Bom, o homem, A Lenda, viu. E montou uma apólice de seguro contra o título da França nessa copa. Ou seja, como já expliquei, se a França fosse a campeã, ele pagaria U$ 30 MILHÕES para o segurado.

- Ah, o WB não aposta em jogos de futebol?

- Dizem por aí que sim.

- Então deve ser por isso! Algum rico magnata apostador, queria se prevenir contra a derrota da França.

Em outras palavras, ele fez hedge.

Todo mundo entedeu a lógica? Eu aposto na derrota da França em 2010. Mas compro um seguro de U$ 30 MI para caso a França ganhe.

Outra hipótese, veiculada, inclusive, pela CBN seria essa: uma empresa resolveu fazer uma promoção e sortearia… sei lá… mil TVs para cada gol que a França fizesse na final (caso ela ganhasse, claro).

Nem preciso explicar a utilidade do seguro agora, certo?

Então, o que aprendemos hoje?

1- Criatividade humana é infinita;

2- Novas idéias implicam em novos riscos;

3- É bastante salutar proteger seus novos investimentos com a contratação de seguros.

Edited: O leitor, Petit, apontou um erro nos comentários. Tudo corrigido agora!

Se você gostou desse post, leia também:

  1. Execução (judicial) de Contratos. Você sabe o que é isso?
  2. Você sabe o que é penhora?
  3. Você sabe para que serve o Direito? (O Dilema do Prisioneiro)
  4. Quanto você pagaria por uma conversa?
  5. Oportunidades – Quem sabe não é a sua?

Tagged , , , , , , ,

Dados do post