Desafio de Natal: A Falácia da Acusação

December 26th, 2011 § 8 comments

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Imagem por opensourceway

Prezados leitores,

Como vão?

Não sei se sabem, mas, antes de me aventurar no Direito, fiz 5 semestres de Física Computacional…

É eu sei, o que a bunda tem a ver com as calças, mas foi assim, ué! Mas, acreditem vocês, isso me foi muito útil ao longo da vida jurídica e, mais ainda, durante o meu mestrado.

Essa formação “um pouco” mais matemática sempre me permitiu compreender com maior facilidade alguns erros de raciocínio que, para outras pessoas, não são tão simples assim. Um deles é a conhecida “Falácia da Acusação”.

Como esse é um tema muito interessante (que voltou ao meu campo de atenção quando li O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow - ePUB pode ser encontrado aqui), prefiro abordá-lo em dois posts. A propósito, para que ninguém me acuse de “plágio”, todos os exemplos foram tirados desse livro, ok? O cara é bom, escreve melhor do que eu e CERTAMENTE é um estatístico mais competente. Pra quê reinventar a roda?

Posto isso, a Falácia da Acusação é um nome pomposo para uma deficiência matemática na formação das pessoas: a incapacidade de entender a probabilidade. Mais especificamente, a probabilidade condicional.

Vamos ao desafio?

Uma certa mãe teve a infelicidade de seu primeiro filho de causas não esclarecidas. A causa oficial de sua morte foi a temida SMSI (síndrome da morte súbita infantil).

Uma fatalidade, não há dúvidas.

O problema é que, anos mais tarde, quando essa mãe teve outro filho, este TAMBÉM morreu de causas não esclarecidas! Em outras palavras, OUTRO SMSI!

Sabendo que as chances de morte de uma criança por SMSI são de 1 em 8.543, quais as chances de que a segunda criança dessa mulher tenha morrido TAMBÉM da rara doença?

A acusação (rá, entendeu o nome da falácia agora) entendeu que as chances de isso ter acontecido eram de 1 em 72.982.849. Como chegaram a essa conclusão?

Fácil: se as chances de uma morte dessa natureza são de 1/8543. As chances isoladas de que duas mortes por SMSI aconteçam na mesma família são de 1/8543 vezes 1/8543, o que dá aquele número absurdamente baixo.

Por outro lado, as chances de que uma mãe tenha assassinado seus dois filhos são bem menores.

A mãe foi condenada. A explicação: Síndrome de Münchhausen transferida.

Como você defenderia a mulher?

Quem postar um comentário com a resposta mais correta até o final do ano ganha uma edição do livro O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow!!!

É isso aí, simples assim. Basta comentar. Não precisa twittar, assinar, facebooketear, nada! Só responder certo e de forma completinha!

ESTÁ VALENDO!

:D

Se você gostou desse post, leia também:

  1. Desafio de Natal: A Falácia da Acusação – RESPOSTA!

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  • Carlos M.

    O exame pericial oferecerá elementos seguros para a negativa da existência de homicídio, devendo os peritos valerem-se das informações de testemunhas, que relatarão o procedimento da gestante e suas reações durante ou logo após o parto.

  • Spyff

    Não precisa face boketear? E eu que pe…nsei que esse site era sério

  • Anonymous

    O exame pericial deu inconsistente. SMSI não deixa “rastros”. As crianças morreram em casa, alguns dias depois de nascidas.

  • Anonymous

    Nunca serão! :D

  • Tatiana

    Eu diria que um raio pode sim cair mais de uma vez no mesmo lugar.

  • Anonymous

    Na verdade, as chances de um raio cair no mesmo lugar são bem maiores do que as pessoas imaginam… mas não é BEM essa a explicação! :D

  • Tatiana

    Bom, vamos lá, considerando que a população estudada seja aleatória, que as famílias estudadas não sejam parentes, esqueceu-se no caso citado de considerar o fator genético, pode ser que a família sofra desse mal, que seja uma propensão genética. Acredito que seja um bom ponto de partida. 

  • Luiz F.

    Olha, a falácia está no cálculo da probabilidade feito pela acusação.
     Vou tentar explicar de forma simples. Cada criança tem 1 chance em 8.543 de morrer de SMS. Portanto a 2º criança, independente a morte da 1º criança ou de ser da mesma mãe, tinha a mesma probabilidade de morrer por SMS, ou seja 1 em 8.543. Vejam, o fato não é tão raro assim considerando-se que nascem em média no Brasil  7.536 crianças todos os dias (IBGE, 2007),  praticamente todos os dias morre uma criança por SMS no Brasil. Para simplificar ainda mais, meu pai morreu de transito. Eu tenho praticamente as mesmas chances de morrer da mesma forma, independente do parentesco. Se a falácia da acusação fosse verdade eu teria milhões de chances a mais que meu pai de morrer do mesmo modo

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